- Sentido de participação política. Os jovens de hoje são os mais informados da história do país, mas menos participativos. Esta natureza advém do falhanço das políticas educativas, em especial da história recente de Portugal. Também, porque as jotas não conseguem ter grande actividade política e ideológica, não falo das estruturas de topo, mas das de base. As actividades são mais de carácter recreativo.
- Ideologia. Não há uma definição ideológica dos partidos, vagueiam atrás do voto. Os partidos e as jotas não estão preocupados em ensinar e sedimentar a ideologia. Mais de metade dos jovens entraram nas jotas, porque é o partido do pai, porque está lá o irmão, o primo, o melhor amigo, @ miud@ que se gosta, o António e o Manel. Não há sentimento ideológico e depois de se fazer parte da estrutura, não há a preocupação de se explicar e ensinar a ideologia e o porquê de ser-se do partido X.
- O trigo e o joio. Sendo as jotas estruturas informais - ou pelo menos, menos formais - tem ciclos interessantes, para se ganhar um congresso ou uma votação não é preciso ter grandes ideias e propostas, basta ter muitos amigos. Isto, acaba por afastar alguns que podem ter ideias, mas não têm amigos.
- Saber entrar e sair/ Trampolim. As estruturas de base (núcleos) são algo monárquicos, entra-se para a liderança aos 18 fica-se lá uma data de anos e só se sai se for para um cargo maior. As jotas são entendidas como trampolins pessoais, coloca-se o eu à frente do nós.
- Discurso jovem. Há uma equação que poucos conseguem resolver, um discurso que os jovens percebam com ideias definidas e profundas. Quando há a primeira parte, falha a segunda - e vice-versa.
- Formação. Não há apostas na formação dos líderes de base (núcleos e concelhias), muitos acabam por ter actividades mais recreativas do que políticas, porque também não têm formação.
- Agenda e ideias próprias. As jotas têm que ter uma agenda própria e não podem viver das questões fracturantes. As jotas não têm actuações niveladas, andam aos altos e baixos ao longo dos anos.
- Distanciamento dos políticos. Os políticos estão noutro mundo e só descem às ruas no mês antes das eleições. Não basta fazer o porta a porta de quatro em quatro anos.
- Conhecimento. Muitos jovens acabam por não entrar nas jotas, porque não sabem o que elas fazem e para que servem. Depois, é preciso saber-se em qual entrar.
- Autonomia financeira. A região é pequena e a administração pública é o grande empregador, convém estar caladinho se queremos trabalho, ou pelo menos não ser do partido contrário do empregador. De preferência, é bom ser do partido do empregador...
- Pensamento. Nas jotas e nos partidos, querem ao seu lado, pessoas que pensem o mesmo. Se fosse eu, queria ao meu lado pessoas que pensem de forma diferente de mim, porque para chegar às mesmas conclusões, já tenho o meu cérebro. A realidade, é que se afasta os que divergem e agrupa-se os que pensam da mesma forma, isto limita as tomadas de posição de qualquer estrutura.
- Liberdade de expressão. Entrar num partido ou jota limita a liberdade de expressão, criticar abertamente o partido é mal visto. É impossível limitar-se a expressão dos jovens quando estão em fase de consolidação intelectual.
Quanto a mim, os pontos essenciais são os 7.8.10.12, também, porque não tenho disponibilidade e não serei uma mais valia. Estou afastado dos partidos, mas sigo com atenção os problemas que afectam o meu meio, e é isso que considero importante. Sei que muitos irão discordar, está aberta a discussão. Os que são velhos leitores do In Concreto, saberão que já estive na JS. Entrei por empurrão de um primo líder de núcleo, nunca fiz qualquer participação ou intervenção. Infelizmente, acho que a minha experiência nas jotas é espelho de grande parte dos jovens que fazem parte nas jotas. Porque é que sai? Comecei a pensar pela minha cabeça...










