19 Outubro, 2009

Feito desaparecer...


Tenho evitado escrever nesta coluna sobre política partidária. Entendo que é um assunto do foro interno dos partidos políticos, cuja discussão é da responsabilidade dos seus órgãos próprios e por isso não há qualquer vantagem em trazê-lo ao debate público.

Acho mais importante demonstrar a minha opinião sobre temas que a todos interessam e que, de uma forma construtiva, contribua para se adoptarem melhores políticas com o objectivo de reduzir os graves problemas dos açorianos.
Temas tão importantes como a grande insegurança dos cidadãos, o consumo e o tráfico de drogas que não pára de aumentar, as elevadas percentagens de abandono escolar e o baixo ranking das nossas escolas, o abusivo aproveitamento dos estagiários, os milhares de compatriotas açorianos desempregados, as muitas centenas de famílias que atingem níveis de pobreza nunca antes registado, o custo dos manuais e das refeições nas cantinas escolares, a consecutiva queda das receitas do turismo ou dos comerciantes e pequenas empresas sem dinheiro para pagar os impostos. De tudo isso pouco ou nada se fala, numa propositada intenção de fazer esquecer os problemas

Vem isto a propósito da euforia dos dirigentes do Partido Socialista com os resultados destas eleições autárquicas, que tudo fizeram para abafar a esmagadora vitória da Drª Berta Cabral no maior Município da Região e esquecer a grande derrota do PS e do seu candidato à Câmara Municipal de P. Delgada.

É certo que o PSD/Açores não atingiu os objectivos a que se propôs, que era o de ganhar o maior número de autarquias. Mas também é certo que o PS só o conseguiu à oitava vez, que é o mesmo que dizer ao fim de 33 anos de regime democrático. E mesmo assim só obteve uma diferença de 3,2 pontos percentuais de votos a mais em toda a Região.

Mesmo partindo para o seu terceiro mandato, a Drª Berta Cabral ganhou estas eleições com 60,69%. Teve mais 8.600 votos do que o candidato do PS.
A obra feita, a sua competência, a confiança e esperança que o Povo nela deposita, deram-lhe mais uma extraordinária vitória.

Fez o que devia. Teve uma palavra de apreço e de partilha de sentimentos para com os que perderam, cumprimentou os vencedores e foi ao encontro de todos aqueles que com ela queriam festejar. É isso que um líder deve fazer.

Pelo contrário. Não ouvi qualquer palavra de solidariedade de Carlos César para com o derrotado do Partido Socialista, o homem que foi apresentado como um universitário, conhecedor da Europa e das cidades europeias, que o é. Nestas eleições, o Dr. Paulo Casaca obteve mais votos para o PS do que o seu homólogo nas autárquicas de 2005. Contudo, foi feito desaparecer na noite das eleições. Não o merecia.



in "Correio dos Açores"

Ponta Delgada, 14 de Outubro de 2009
Cláudio Almeida

21 Setembro, 2009

Lagoa de Santiago

Deixo-vos aqui este pequeno filme com fotografias sobre a travessia da Lagoa de Santiago (Sete Cidades). Este Verão tive oportunidade de descer duas vezes a esta lagoa, uma para conhecer o local, e outra para fazer esta travessia.

Planeio voltar novamente lá. Apesar de ser um local onde as acessibilidades não estão ao alcance de todos, chocou-me o facto de haver lixo lá em baixo - algum deixado pelos turistas que tinham acabado de lá estar, a apreciar local tão aprazível. A terceira descida será com o objectivo de conseguirmos limpar aquilo que pudermos.

Ainda sobre este vídeo que fiz, e sobre as músicas que escolhi, gostava de mencionar aqui um artigo escrito pelo meu colega António Praia no semanário Expresso das Nove. Podem lê-lo no link abaixo.

http://www.expressodasnove.pt/opiniao.php?id=4279

É com tristeza que soube que o autor de uma das principais músicas que marcam a nossa açorianidade está esquecido, em detrimento de outros que nada fazem senão aparecer na "nossa" televisão, em programas nada úteis e de pouca qualidade, e que são idolatrados por muitos.


Tenho pena que os açorianos ainda não tenham aprendido a valorizar o que é nosso, o que é genuíno e de qualidade, a nossa cultura. Agora vêm-me à memória produções televisivas como "Mau tempo no canal", feitas numa altura em que o dinheiro também não era muito e os recursos eram escassos, mas de uma grande qualidade. Não seria interessante editar estas produções em DVD? Será que vamos continuar a desvalorizar o que é nosso?

17 Setembro, 2009

É assim por vezes!

14 Setembro, 2009

Será mesmo??

Noticia in Açoriano Oriental

Noticia sobre Gripe A - Poderão surgir mortes

Não quero desvalorizar a situação mas isto começa a cheirar a repetição da história da Gripe das Aves.. Tanto alarmismo, tanto medo, tanto cuidado.
Parece mesmo aquela lenda do miudo e do lobo. Tenho medo que se crie tantas espectativas na população e que no final volte ao mesmo, com alarmismos e poucas consequências.
Até ao dia que vem mesmo uma epidemia que seja mesmo catastrófica... E ai estamos todos lixados...

10 Setembro, 2009

Benfica o 9º melhor da Europa do sec:xx

09 Setembro, 2009

Benfica vs Setubal : 8-1

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Tive dois convites para o Benfica Setúbal da passada semana, desloquei-me ao estádio para ver o festival de golos, ainda para mais, fiquei ao lado do camarote presidêncial.

07 Setembro, 2009

O Acordo e a NATO


É com a constituição da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), igualmente conhecida por NATO e por Aliança Atlântica, que também se pode demonstrar como os Açores tem influenciado a visibilidade de Portugal no mundo.

Embora tenha sido constituído a 4 de Abril de 1949, o Tratado do Atlântico Norte, só entrou em vigor a 24 de Agosto do mesmo ano, (foi há 60 anos) depois de ratificado pelos doze países fundadores. Os objectivos nele consignados, que se fundamentaram na necessidade de travar a expansão comunista que alastrara no período pós II Guerra Mundial, continuam a ser os de manter a segurança dos países que pertencem à NATO e a segurança do atlântico norte. Pode ler-se no art. 5º, que diz “as Partes concordam em que um ataque armado contra uma ou várias delas na Europa ou na América do Norte será considerado um ataque a todas, e, consequentemente, concordam em que, se um tal ataque armado se verificar, cada uma, no exercício do direito de legítima defesa, individual ou colectiva, prestará assistência à Parte ou Partes assim atacadas, praticando sem demora, individualmente e de acordo com as restantes Partes, a acção que considerar necessária, inclusive o emprego da força armada, para restaurar e garantir a segurança na região do Atlântico Norte”.


A quando da constituição desta nova organização política e militar estava mais que provado que a vitória dos aliados nas I e II Guerras Mundiais dependera da segurança do atlântico norte. Isso só fora possível em consequência da participação dos Açores como Base de apoio ás potencias Aliadas.


Ora, tendo sido os EUA o principal impulsionador da Aliança Atlântica, que desta forma se evidenciava na liderança no “bloco ocidental”, era preciso garantir a continuação da sua presença nos Açores ao abrigo do novo quadro da NATO. É nessa perspectiva que se introduziu uma clausula no Tratado do Atlântico Norte - a segunda parte do art. 6º - que, para os fins do art. 5.° já acima citado, considera ataque armado contra uma ou várias das Partes “o ataque armado contra as Ilhas sob jurisdição de qualquer das Partes situadas na região do Atlântico Norte ao norte do Trópico de Câncer”, precisamente para abranger as ilhas açorianas.


É por esse motivo que Portugal sobressaiu como país convidado para ser fundador do tratado que instituiu a NATO, mesmo sabendo-se que as relações entre EUA e Portugal não eram as melhores, ou que o governo português desconfiasse do imperialismo americano e rejeitasse o seu modelo de democracia. Alias, essas tinham sido algumas das causas que contribuíram para demorar a cedência de facilidades na instalação de uma base aérea na ilha de Stª Maria, em 1944, o que só veio a acontecer quase no final da guerra e perante a “ameaça” de ocupação das ilhas pelos aliados.


A Espanha não foi, intencionalmente, convidada para ser membro fundador do Tratado do Atlântico Norte, por ter um governo de ditadura fascista. Portugal foi convidado a ser fundador do NATO, mesmo tendo um governo de ditadura fascista, porque as ilhas açorianas lhe pertenciam.


É mais uma vez o valor geoestratégico dos Açores a favorecer Portugal.


Cláudio Almeida


Correio dos Açores e Diário Insular