10 dezembro, 2009

Assim não se chega lá!


A toxicodependência é uma problemática que atinge um elevado número de jovens e de muitas famílias em todas as nossas ilhas. Os jovens tomam cada vez mais cedo o contacto com as drogas.
Existem locais perfeitamente identificados, onde, em plena luz do dia, se podem ver traficantes que se confundem com consumidores e consumidores que se confundem com traficantes. Traficantes que se passeiam impunemente junto de escolas e de locais de concentração de jovens.


Os programas de desintoxicação e as comissões de dissuasão não estão a funcionar. É necessário reforçar e apoiar estas equipas de dissuasão da toxicodependência, ao nível de recursos humanos e capacidade de intervenção.


Apesar do excelente esforço e trabalho desenvolvido, estas comissões debatem-se com inúmeros problemas de funcionamento, de capacidade de resposta e de fiscalização das medidas que a própria comissão propõe aos seus utentes.


No último relatório do Instituto da Droga e Toxicodependência, os Açores continuam no topo das regiões onde há maior consumo.


O Governo Regional do Partido Socialista continua sem uma linha orientadora para esta matéria, não assume o combate às toxicodependências como uma prioridade da sua acção governativa.
Há um ano, a grande novidade apresentada, foi a criação de uma Direcção Regional de Combate às Dependências. Passado mais de um ano da sua criação, os açorianos continuam sem conhecer resultados significativos da suposta acção deste novo departamento governamental.


Os açorianos têm que estar cientes de que o investimento, para 2010, é somente um milhão e meio de euros no combate às toxicodependências.


Para um problema tão grave que afecta a sociedade açoriana, como é o das toxicodependências, o governo avança com uma mísera verba que é ultrapassada por uma qualquer rubrica orçamental dedicada a deslocações dos membros do governo e do pessoal dos seus gabinetes.


O PSD não estando satisfeito com estas propostas avançadas pelo Governo Regional socialista, no que concerne o combate às toxicodependências e avançou com uma proposta de reforço, em 800 mil Euros, dedicados ao combate ás Toxicodependências, que infelizmente não foi aceite pelo PS.
E, assim, deixa-se muitos jovens a caminhar, isoladamente, para o abismo.

Ponta Delgada, 2 de Dezembro de 09 "Correio dos Açores"
Cláudio Almeida

08 dezembro, 2009

Silêncio na Saude...

Quem me conhece sabe que fiz o meu estagiar L no NELAG - Núcleo de empresários da Lagoa, tendo conhecido o seu Presidente, o Dr. Ricardo Martins Mota, director técnico da Farmácia Mântua. Homem marcante pela sua forma livre de pensar sem ligar a ideologias politicas, as suas ideias sempre a pensar numa revolução da forma de agir, as suas actividades sempre a considerar um desenvolvimento para o Concelho sustentável levaram a que fosse atacado de forma incorrecta pelo Presidente da Autarquia, que sempre o considerou um adversário e nunca um aliado. Um erro crasso, pois essa nunca foi a ideia do mesmo...
Durante o meu estágio fiquei também a conhecer o Dr. Mário Freitas. Pessoa de ideologias fortes, sempre foi considerado um inimigo para muitos, habituados ao marasmo que havia antigamente.
Muitos consideraram-lhe vingativo, mas estavam totalmente errados. Mário Freitas apenas quis fazer algo por esta ilha, mudar mentalidades e atitudes que, de saudáveis, pouco tinham. E o trabalho começava a notar-se. Veja-se o caso da Padaria de Água de Pau, um novo conceito de pão, saudável, com pouco sal e com excelentes condições de fabrico. Desde já os meus parabéns aos Irmãos Carlos e João. Sem querer estive desde inicio com eles pois, aquando do meu estágio, conheci-os na sua inscrição no NELAG e, sendo da mesma terra que eles, acabamos por ficar amigos.
Mas voltando ao Dr. Mário, fiquei deveras impressionado com a falta de consideração que o Presidente do Governo mostrou com o mesmo. Considerar-lhe mediático e que seria demitido de qualquer forma, quando apenas quis demonstrar que as coisas não estão bem é argumento muito fraco.. Nem falou do seu trabalho. Aliás mesmo não poderia pois se o fizesse nem teria argumentos para ter tomado tal decisão. A única questão que me ficou pendente foi o facto de o Presidente da Câmara de Lagoa ter ou não algo a ver com esta decisão... Já agora qual será a opinião dele sobre o trabalho do Dr Mário?

05 dezembro, 2009

Recordar Francisco Sá Carneiro



Ontem, dia 4 de Dezembro, fez-se 29 anos desde a morte de Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, então em 1980, Primeiro-Ministro, e Ministro da Defesa, respectivamente.
Porque a morte de ambos foi envolta de muita polémica e mistério, há um certo saudosismo quando se recordam duas pessoas que desempenhavam cargos de elevada responsabilidade. Mais do que isso. Recorda-se, acima de tudo, quem o conheceu, o homem e o político que fundou o PSD, o homem e o político cuja coragem e clarividência (segundo Cavaco Silva) eram excepcionais.
Hoje faltam-nos pessoas assim. Com sentido de Estado, com a inteligência e a integridade de Sá Carneiro. O mesmo se diga quanto à ética, hoje tanto falada e pouco praticada. E quanto aos costumes, não se esqueça das barbaridades que se disseram do então chefe da AD, por estar ao lado de Snu-Abecassis.
Não queria deixar de passar, no mínimo, este singelo apontamento sobre alguém que, se fosse vivo (e eu nem gosto muito de sentimentos saudosistas), certamente teria muito a dizer sobre o caminho que o país está a percorrer.

Num notável trabalho de Alexandre Relvas à frente do Instituto Sá Carneiro, podemos visualizar alguns vídeos de pessoas que testemunharam o homem que aqui recordamos. Aqui

19 outubro, 2009

Feito desaparecer...


Tenho evitado escrever nesta coluna sobre política partidária. Entendo que é um assunto do foro interno dos partidos políticos, cuja discussão é da responsabilidade dos seus órgãos próprios e por isso não há qualquer vantagem em trazê-lo ao debate público.

Acho mais importante demonstrar a minha opinião sobre temas que a todos interessam e que, de uma forma construtiva, contribua para se adoptarem melhores políticas com o objectivo de reduzir os graves problemas dos açorianos.
Temas tão importantes como a grande insegurança dos cidadãos, o consumo e o tráfico de drogas que não pára de aumentar, as elevadas percentagens de abandono escolar e o baixo ranking das nossas escolas, o abusivo aproveitamento dos estagiários, os milhares de compatriotas açorianos desempregados, as muitas centenas de famílias que atingem níveis de pobreza nunca antes registado, o custo dos manuais e das refeições nas cantinas escolares, a consecutiva queda das receitas do turismo ou dos comerciantes e pequenas empresas sem dinheiro para pagar os impostos. De tudo isso pouco ou nada se fala, numa propositada intenção de fazer esquecer os problemas

Vem isto a propósito da euforia dos dirigentes do Partido Socialista com os resultados destas eleições autárquicas, que tudo fizeram para abafar a esmagadora vitória da Drª Berta Cabral no maior Município da Região e esquecer a grande derrota do PS e do seu candidato à Câmara Municipal de P. Delgada.

É certo que o PSD/Açores não atingiu os objectivos a que se propôs, que era o de ganhar o maior número de autarquias. Mas também é certo que o PS só o conseguiu à oitava vez, que é o mesmo que dizer ao fim de 33 anos de regime democrático. E mesmo assim só obteve uma diferença de 3,2 pontos percentuais de votos a mais em toda a Região.

Mesmo partindo para o seu terceiro mandato, a Drª Berta Cabral ganhou estas eleições com 60,69%. Teve mais 8.600 votos do que o candidato do PS.
A obra feita, a sua competência, a confiança e esperança que o Povo nela deposita, deram-lhe mais uma extraordinária vitória.

Fez o que devia. Teve uma palavra de apreço e de partilha de sentimentos para com os que perderam, cumprimentou os vencedores e foi ao encontro de todos aqueles que com ela queriam festejar. É isso que um líder deve fazer.

Pelo contrário. Não ouvi qualquer palavra de solidariedade de Carlos César para com o derrotado do Partido Socialista, o homem que foi apresentado como um universitário, conhecedor da Europa e das cidades europeias, que o é. Nestas eleições, o Dr. Paulo Casaca obteve mais votos para o PS do que o seu homólogo nas autárquicas de 2005. Contudo, foi feito desaparecer na noite das eleições. Não o merecia.



in "Correio dos Açores"

Ponta Delgada, 14 de Outubro de 2009
Cláudio Almeida

17 setembro, 2009

É assim por vezes!

14 setembro, 2009

Será mesmo??

Noticia in Açoriano Oriental

Noticia sobre Gripe A - Poderão surgir mortes

Não quero desvalorizar a situação mas isto começa a cheirar a repetição da história da Gripe das Aves.. Tanto alarmismo, tanto medo, tanto cuidado.
Parece mesmo aquela lenda do miudo e do lobo. Tenho medo que se crie tantas espectativas na população e que no final volte ao mesmo, com alarmismos e poucas consequências.
Até ao dia que vem mesmo uma epidemia que seja mesmo catastrófica... E ai estamos todos lixados...

10 setembro, 2009

09 setembro, 2009

Benfica vs Setubal : 8-1

Tive dois convites para o Benfica Setúbal da passada semana, desloquei-me ao estádio para ver o festival de golos, ainda para mais, fiquei ao lado do camarote presidêncial.

07 setembro, 2009

O Acordo e a NATO


É com a constituição da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), igualmente conhecida por NATO e por Aliança Atlântica, que também se pode demonstrar como os Açores tem influenciado a visibilidade de Portugal no mundo.

Embora tenha sido constituído a 4 de Abril de 1949, o Tratado do Atlântico Norte, só entrou em vigor a 24 de Agosto do mesmo ano, (foi há 60 anos) depois de ratificado pelos doze países fundadores. Os objectivos nele consignados, que se fundamentaram na necessidade de travar a expansão comunista que alastrara no período pós II Guerra Mundial, continuam a ser os de manter a segurança dos países que pertencem à NATO e a segurança do atlântico norte. Pode ler-se no art. 5º, que diz “as Partes concordam em que um ataque armado contra uma ou várias delas na Europa ou na América do Norte será considerado um ataque a todas, e, consequentemente, concordam em que, se um tal ataque armado se verificar, cada uma, no exercício do direito de legítima defesa, individual ou colectiva, prestará assistência à Parte ou Partes assim atacadas, praticando sem demora, individualmente e de acordo com as restantes Partes, a acção que considerar necessária, inclusive o emprego da força armada, para restaurar e garantir a segurança na região do Atlântico Norte”.


A quando da constituição desta nova organização política e militar estava mais que provado que a vitória dos aliados nas I e II Guerras Mundiais dependera da segurança do atlântico norte. Isso só fora possível em consequência da participação dos Açores como Base de apoio ás potencias Aliadas.


Ora, tendo sido os EUA o principal impulsionador da Aliança Atlântica, que desta forma se evidenciava na liderança no “bloco ocidental”, era preciso garantir a continuação da sua presença nos Açores ao abrigo do novo quadro da NATO. É nessa perspectiva que se introduziu uma clausula no Tratado do Atlântico Norte - a segunda parte do art. 6º - que, para os fins do art. 5.° já acima citado, considera ataque armado contra uma ou várias das Partes “o ataque armado contra as Ilhas sob jurisdição de qualquer das Partes situadas na região do Atlântico Norte ao norte do Trópico de Câncer”, precisamente para abranger as ilhas açorianas.


É por esse motivo que Portugal sobressaiu como país convidado para ser fundador do tratado que instituiu a NATO, mesmo sabendo-se que as relações entre EUA e Portugal não eram as melhores, ou que o governo português desconfiasse do imperialismo americano e rejeitasse o seu modelo de democracia. Alias, essas tinham sido algumas das causas que contribuíram para demorar a cedência de facilidades na instalação de uma base aérea na ilha de Stª Maria, em 1944, o que só veio a acontecer quase no final da guerra e perante a “ameaça” de ocupação das ilhas pelos aliados.


A Espanha não foi, intencionalmente, convidada para ser membro fundador do Tratado do Atlântico Norte, por ter um governo de ditadura fascista. Portugal foi convidado a ser fundador do NATO, mesmo tendo um governo de ditadura fascista, porque as ilhas açorianas lhe pertenciam.


É mais uma vez o valor geoestratégico dos Açores a favorecer Portugal.


Cláudio Almeida


Correio dos Açores e Diário Insular

20 agosto, 2009

Desemprego nos 7% “não é preocupante”?

É inaceitável e repudiável a declaração da responsável do governo pelo trabalho e solidariedade, ao dizer que o desemprego nos 7% “não é preocupante”.

Neste período de especiais dificuldades das famílias e da economia regional, tal atitude só revela insensibilidade social e política.

Sem valorizar o problema, não se procuram as soluções, com estratégia e prioridade política.
Os jovens licenciados à procura de primeiro emprego, os desempregados de longa duração, os trabalhadores em situação de emprego precário e todos os que querem trabalho e não o têm merecem ser tratados, na acção governativa e no discurso político, com mais consideração e dignidade. Devem ser prioridade da governação.

19 agosto, 2009

A Saga continua

Na passada semana desloquei-me ás ilhas do Pico e Faial. Sábado dia 8 de Agosto cheguei ao Pico e de seguida apanhei a lancha das 13h para o Faial. Ao chegar ao Faial comprei os bilhetes de regresso ao Pico para o dia seguinte, o barco supostamente partiria ás 18horas do Domingo. No dia 9, domingo, um colega meu foi ao caís da Horta comprar os bilhetes para o mesmo barco em que eu, pois tinha de os comprar 2 horas antes porque estava a usufruir do tão aclamado cartão jovem. Não foi o espanto deste meu colega, ao chegar ao balcão de vendas da Transmaçor, a funcionária dizia-lhe que o expresso do canal tinha avariado e que se ele conhecesse alguém que fosse neste barco que os avisassem por forma a irem ao caís trocar os bilhetes para irem no cruzeiro, ás 20h.
Deste modo, o meu colega avisou-me do sucedido, então desloquei-me ao caís para alterar os bilhetes e para me devolverem o dinheiro. Ao chegar ao balcão de vendas a funcionária estava a ser pouco agradável com os clientes, a minha reacção pelo sucedido, foi pedir o livro de reclamações. Para espanto meu, o livro estava cheio, sem mais um único sitio onde escrever. Então, resolvi pedir outro, a respectiva funcionária lá andou á procura de outro livro, e para espanto meu, o segundo livro estava igualmente cheio, sem mais um único espaço onde escrever. Voltei a pedir á menina um terceiro livro e este já não havia.
Foi me dito que o mesmo aconteceu no caís de São Roque do Pico a quando das festas "Caís Agosto", só que com uma pequena diferença, não foram 2 nem 3 livros de reclamações cheios, mas sim 5 livros.
Se fosse uma empresa privada já tinha apanhado uma multa de 5 mil Euros por não ter livro.
Já dizia Fernando Pessa!
E esta hem!!!

18 agosto, 2009

Carolina Patrocínio

"Odeio os caroços nas frutas. Só como cerejas quando a minha empregada tira os caroços por mim. E uvas sem grainhas. É uma trabalheira”

É um pouco estranho recorrer vídeos do BE para postar aqui no blog. Mas, no caso, parece-me que vale a pena colocar aqui o apanhado:



A rapariga que se vê nas imagens chama-se Carolina Patrocínio e é a mandatária do PS para a Juventude. Espera-se que ela seja um exemplo para os milhares de jovens deste país. Que tenha umas ideias para o país. Não lhe foi dada ainda uma oportunidade para se revelar, é verdade. Mas só pelo que já se sabe dela, não parecem existir dúvidas de que se trata de uma rapariga escolhida porque é gira, conhecida e porque está na TV todos os dias. Pouco. Muito pouco. Assim, melhor tinham escolhido a Joana Amaral Dias que além de gira tem ideias e personifica exactamente aquela superioridade moral típica da esquerda. Não que goste das ideias dela. Mas ao menos ela as tem.

05 agosto, 2009

O Acordo de 1944


É com a entrada dos Estados Unidos da América na I Guerra Mundial que se torna imprescindível haver uma base naval no atlântico. O abastecimento de carvão e reparação de pequenas avarias nos navios aliados e um porto de escala para os “destroyers” americanos, que iriam manter a segurança e a liberdade de navegação nesta zona do oceano durante o conflito, a isso obrigava. Por conseguinte, as ilhas portuguesas dos Açores eram as que melhor localização geográfica tinham.

Com efeito, as primeiras facilidades militares cedidas aos norte-americanos remonta a 1917, data em que o governo português acabou por autorizar, entre outras concessões, a instalação de uma base naval em P. Delgada.

Comprovado o contributo decisivo dos Açores para a vitória dos aliados na guerra de 1914/1918, que se evidenciara no apoio à luta contra os submarinos alemães que atacavam os comboios marítimos vindos da América para a Europa, é no decurso da II Guerra Mundial - 1939/1945 - que novamente se faz referência às ilhas dos Açores como parte fundamental no apoio ao auxílio dos Estados Unidos à Europa.

É nessa altura que Portugal começa a tirar vantagens das suas ilhas atlânticas mais a norte, iniciando um processo que, no futuro, irá contribuir para a sua influência estratégica no mundo.

Foi no decurso das negociações que precederam a assinatura do Acordo entre Portugal e os EUA, assinado em Novembro de 1944, que se estipularam as condições para que os americanos utilizassem e controlassem uma base aérea em Santa Maria. É certo que ali iriam construir um aeroporto, mas as exigências de Portugal tinham como principais objectivos a garantia que não haveria interferências no seu império colonial, e que o exército português participasse, numa força dos aliados, na expulsão da ocupação japonesa do território de Timor Leste e a sua restituição à soberania portuguesa.

Assim se iniciam as compensações políticas e militares, e mais tarde também financeiras, que têm como contrapartidas a cedência de bases militares nas ilhas açorianas. Os norte americanos em Santa Maria e os ingleses na Terceira.

Serão os acordos seguintes que continuarão a revelar a forma como Portugal tem beneficiado desta situação. Poder-se-á afirmar que, dos milhares de milhões de dólares que têm sido concedidos pelos EUA a Portugal, a grande maioria se destina a reequipar as forças armadas portuguesas e a dádivas financeiras ao país, revertendo muito pouco a favor das ilhas açorianas. Por isso, não admira que as negociações sobre as novas valências da Base das Lajes se revistam de um grande secretismo da diplomacia portuguesa, ao que parece se terem associado os responsáveis pelo actual governo regional.

O Acordo Laboral e o Regulamento do Trabalho dos trabalhadores portuguesas da Base das Lajes é disso exemplo. Foram-lhes introduzidas alterações por um novo Acordo, que já foi assinado, em Lisboa, no dia 11 de Julho, entre os representantes dos governos dos EUA e de Portugal, com o aval do Presidente do Governo Regional, que tinha conhecimento das negociações. O Presidente da Assembleia Legislativa não foi informado, os partidos políticos com assento parlamentar nada souberam, e os representantes dos trabalhadores nem sequer foram ouvidos.


In "Correio dos Açores" e "Diário Insular"

23 julho, 2009

O Acordo



A facilidade e rapidez com que foram ultrapassadas as dificuldades que, nos últimos dois anos, têm condicionado a actualização das tabelas salariais dos trabalhadores portugueses da Base das Lajes parece ter sido uma das contrapartidas pelas quais o Governo da República terá autorizado a utilização daquelas instalações e do espaço aéreo sobre os Açores, para base de treinos de novos aviões de guerra e testes dos sofisticados sistemas de armas da Força Aérea norte-americana.

Numa análise comparativa com anteriores negociações entre os representantes de Portugal e dos Estados Unidos, apercebemo-nos do mal disfarçada “sedução”americana sempre que precisam de utilizar as ilhas dos Açores no apoio à sua própria defesa e segurança. Tem sido assim desde a II Guerra Mundial. Primeiramente, começam por conceder ajudas ao Estado português para, posteriormente, lhes serem permitidas as facilidades que pretendem.

Não quero crer que a diplomacia portuguesa tenha cedido às novas exigências do mais poderoso país do mundo, tão-somente para assegurar uma nova fórmula de revisão e actualização dos salários dos trabalhadores portugueses ao serviço da USFORAZORES. Muito menos, em troca da anunciada comparticipação americana nos custos da repavimentação da pista daquele base aérea. No primeiro caso, porque os salários são um direito inalienável dos trabalhadores e correspondem à remuneração dos serviços prestados; e no segundo, porque a divisão dos custos daquela repavimentação decorre do acordo ainda em vigor, assinado em Lisboa, em Junho de 1995.

Se o acordo de princípio foi confirmado e é favorável à utilização da Base das Lajes para treino dos novos caças americanos, tal como o Governo de Portugal comunicou ao secretária da Defesa dos Estados Unidos, certamente terão sido concedidas outras pretensões pedidas pela parte portuguesa, que ainda se não conhecem ou dificilmente se chegarão a saber. A Região e o Governo Regional mais uma vez terão sido marginalizados no processo negocial, com total desrespeito pelo cumprimento do Estatuto Político Administrativo da Região Autónoma dos Açores – alíneas a) dos nºs 1 e 2 do art. 7º e alínea m) do art. 88º.

Por isso, não constitui surpresa o facto do governo de José Sócrates não dar resposta ao teor do requerimento que os deputados açorianos do PSD – Mota Amaral e Joaquim Ponte apresentaram na Assembleia da República, pedindo ao ministro dos Negócios Estrangeiros informações sobre quais as garantias de segurança e ambientais que estarão asseguradas, e que contrapartidas foram exigidas para os Açores pelas novas valências pedidas pelos militares norte – americanos. Naturalmente, pelas mesmas razões, o governo de Carlos César não quis responder ao pedido de esclarecimento feito pelo deputado social-democrata – Clélio Meneses, na última sessão da Assembleia Legislativa Regional, quando defendia que o Governo Regional devia explicar aos açorianos os contornos do novo acordo bilateral.

Ao Governo dos Açores compete participar nas negociações de tratados e acordos internacionais que directamente digam respeito à Região. É sua obrigação tudo fazer para garantir a segurança dos açorianos e o mínimo de perturbação ambiental das nossas ilhas, exigindo novas contrapartidas financeiras pelos riscos que decorrerão da nova utilização da Base das Lajes.



In "Correio dos Açores" e "Diário Insular"

10 julho, 2009

Mau tempo no canal

Em pleno mês de julho, o nevoeiro e a humidade estão a dominar o tempo um pouco por todas as ilhas. Da ilha do Faial, onde me encontro, não se consegue avistar o Pico nem São Jorge, houve vôos que cancelaram e outros que estão atrasados.
Só espero regressar a São Miguel ainda hoje.

07 julho, 2009

Estacionamento

Longe de mim de criticar quem poucos meios tem para fazer aquilo que lhes é devido, mas o que se passou este fim de semana na Praia de Agua d'alto mostrou que muita coisa não está bem na nossa sociedade.
Um lindo dia de praia e, tal como muitos segui para a praia acima referida. Cheguei perto das 13:30 (perdoem-me os médicos que fazem questão de frisar que esta é uma hora muito perigosa) e claro que os lugares já eram poucos. Aliás já tive que estacionar a meio da recta da praia. Fiz em lugar próprio e correcto para evitar problemas, isto apesar de ter lugares muito mais próximos em lugares de estacionamento proibido.
Segui o meu caminho e finalmente tive um fantástico dia de praia, dos pouco que tivemos este ano.
Ao sair da praia, compreendi a dimensão do problema que tinha sido criado. Não existia um único lugar de estacionamento desde a praia pequena até ao fim da recta da praia grande. Proibido ou não, tudo era possível para estacionar criando enormes dificuldades a quem tentava seguir seu caminho. Autocarros e camiões sentiram-se no inferno para poder passar nesta área pois em muitos sítios nem era possível passar dois carros, quanto mais um pesado.
Compreendo que este verão tem sido dos piores para a época do ano que estamos todos muitos desejosos por uns dias de praia, mas não se admite que tal seja pretexto para não respeitar ninguém a nível de estacionamento.
Pior mesmo (e isto leva ao meu inicio) foi a total ausência de policiamento na área que provocou este total caos de trânsito. Sei que existia festa na freguesia de Água d'alto e que foi necessário policiamento para a procissão, mas tambem é verdade que houve um passeio de motas (enorme e com uma grande variadade) que estava a ser policiado.
Quer queiram quer não, a zona mencionada será sempre muito complicada de estacionamento. Existem soluções de estacionamento mas que terão um custo impenssavel e por isso não deverão ser executadas. Como tal aproveito para pedir às pessoas um pouco de civismo. Não é fácil ter uma ambulância a pedir passagem e nós impontentes pois se parar apenas vou incomodar mais o trânsito..
Lembrem-se podeira ser alguem muito importante para voces (ou voces próprios)...

26 junho, 2009

olhe que não!

09 junho, 2009

Vítal Moreira nos Açores

Segundo o Diário de Noticias, edição de imprensa de 9 de junho de 2009, Vital Moreira vem aos Açores retemperar forças.

Desafios por ganhar

No próximo Domingo, dia 7 de Junho, nós, cidadãos eleitores de um dos 27 Estados membros da União Europeia, vamos eleger os nossos representantes no Parlamento Europeu, o único órgão da União que resulta de eleições directas. É neste acto, que se realiza de cinco em cinco anos, que podemos escolher quem reúne melhores condições para defender os nossos direitos nas instâncias europeias.

Temos o dever de o fazer. Como sinal de afirmação de que somos parte desta Europa e queremos contribuir para a aproximação das suas regiões e para a melhoria da qualidade e nível de vida das suas populações. Porque os Açores precisam receber co-financiamentos de Fundos Comunitários, tão necessários ao nosso desenvolvimento.

A nossa Região Autónoma continua a ter desafios por ganhar.
Na agricultura, é preciso tudo fazer para combater o anunciado fim das quotas leiteiras ou, em alternativa, negociar a justa compensação financeira que reponha a perda de rendimentos dos produtores açorianos pelo desmantelamento do actual regime de quotas.

Nas pescas, é necessário garantir o acesso privilegiado da frota de pesca açoriana à zona económica exclusiva da Região e defender a aplicação definitiva do POSEI nesta importante área da nossa economia.

No ambiente, continuar a estimular a utilização das energias renováveis, que no nosso caso também passa pela energia geotérmica, e obter um regime de excepção para os limites de emissão de CO2 para todas as ligações aéreas com partida ou destino nos Açores, como forma adicional de reduzir os custos dos transportes aéreos.

É fundamental afirmar e tirar proveito da importância dos Açores para a política geo-estratégica da Europa, não só no contexto da NATO e do acordo bilateral de defesa entre Portugal e os Estados Unidos da América, como principal aliado europeu, mas também numa estratégia de segurança e defesa da Europa ocidental.

Propor e desenvolver um conjunto de medidas que contrariem a acentuada diminuição da população dos Açores, sobretudo nas ilhas de menor dimensão, deve ser uma das preocupações dos euro – deputados açorianos.

Estou certo que a candidata do PSD Açores, terá um grande desempenho para conseguir esses objectivos.

A Dr.ª Maria do Céu Patrão Neves tem um currículo de peso. É professora catedrática de ética da Universidade dos Açores, é membro do conselho de directores da International Association of Bioethic, é perita do Global Ethics Observatory, da UNESCO, e é conselheira do Presidente da República para a Ética da Vida, cargo para o qual foi nomeada pelo conselho de reitores das universidades portuguesas.

A sua capacidade de trabalho, o entusiasmo que demonstra e a facilidade de expressão que possui, vão torná-la numa das melhores euro – deputadas portuguesas. E porque certamente terá a cooperação do seu antecessor Duarte Freitas, vai ter influência na procura e aplicação de melhores soluções para os problemas dos Açores.

P. Delgada, 4 de Junho, 2009

Autor: Cláudio Almeida in Correio dos Açores

08 junho, 2009

PPD/PSD